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domingo, 23 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Falando o que não devo!

Diz a sabedoria popular que política e religião não se discute...
Porém, como ninguém respeita o povo mesmo, preciso escrever um pouco sobre religião. Ou melhor, mais especificamente, sobre religiosos. Gostaria, na verdade, de fazer um podcasting, mas como estou na fase low-tech, vou de postagem no blog mesmo!
Estes tem sido tempos difíceis pra mim, sinto todo o peso da existência sobre meus ombros, muitas incertezas, coração apertado, caminhos que não parecem levar a lugar algum. Estou entendendo que nunca estarei 100% convicto de nada, que sempre virão novas perguntas e que nunca deixarei de ter uma alma inquieta. Tudo bem, aceito até o fato de que nossa vida seja mesmo uma peregrinação em busca de um lugar seguro para nossas almas descansarem. Nunca deixarei de acreditar em que possa existir algo mais do que nossos olhos e sentidos conseguem perceber, ou, como na frase de Antoine de Saint-Exupéry, o essencial é invisível aos olhos.
Além disto, acho pobres as almas daqueles que ficam gritando e esfregando na cara de todos o fato de serem ateus ou, com perdão do trocadilho, à-toa.
Por outro lado, o que me motiva a escrever não são os incrédulos, são os crentes. Cansei de ouvir baboseira a torto e a direito por aí. Realmente parece o final dos tempos, sempre tem um Pr. Fulano de Tal ou um Missionário Beltrano, aliás, títulos é que não faltam: apóstolo, bispo, profeta, homem -de -Deus, semi-deus, sumidade, blablablá. Ligo a TV, abro o jornal e pronto: evangelho e vc tudo a ver; igreja: sempre uma pertinho de vc!! E é este exatamente o problema, parece que o livre arbítrio e a liberdade de pensamento não existem mais. Muito parecido, embora em proporções totalmente diferentes, com a questão da homossexualidade, quer dizer a "moda de ser homo", como vi um cara dizendo que daqui a pouco vai ser homofobia ser hétero. O que quero dizer é que estamos caminhando pra um ponto no qual os preconceitos só inverterão o lado.
Hoje fui ler os posts num blog da série Supernatural e, pra variar, tinha um crente reclamando, dizia que a série é herética, que está totalmente contra a bíblia e muito mais. E o pior, o cara nem sabia escrever direito, mas um ou dois versículos ele tinha decorado. Fico extremamente incomodado com isso, ter o espaço invadido por alguém que se sente no direito de impor seu pensamento, ser incomodado na rua pra ser "convidado" a ir a uma reunião e mais ofensivamente ainda, alguém vem me abordar pra dizer que o cigarro que estou fumando é diabólico e coisa do tipo. Há algum tempo, uma senhora veio falar comigo e com uns amigos, em frente ao meu lugar de trabalho pra falar que precisamos de Deus e, para enfatizar, ela apontou para uma criança excepcional que atravessava a rua com a mãe e disse que aquilo era obra do Diabo e que nós éramos culpados por isso, pois estávamos fumando... O que dizer disso? No mínimo que falta inteligência e bom senso.
Enfim, todo mundo faz discurso, seja religioso, político ou ideológico, sempre tem alguém com algo pra falar, uma descoberta que é a última palavra a ser dita, sempre tem gente que encontrou o caminho das pedras, mas, quando realmente vamos respeitar as diferenças e conviver com o outro sabendo que junto é melhor que sozinho?
Não precisamos de religião, política, diplomas, ideologias, times de futebol ou de qualquer outra coisa para nos aproximarmos de alguém. Um simples gesto, um carinho um mostrar que se importa, pode bastar e, além disso, pode mudar a vida do irmão do lado. E pode ser muito mais significativo do que recitar um milhão de versículos decorados, porém não vividos, ou mesmo um discurso repetitivo que mais ofende do que convence.
Gosto muito da música "ants marching" da Dave Matthews Band e que tem um trecho que diz que assim como as formiguinhas, andando e balançando suas anteninhas, nós não temos tempo pra mais nada, nem pra trocar algumas palavras, apenas marchamos, sem nenhum pensamento além disso...
Infelizmente tem sido assim com nossa humanidade, tempos difíceis.
Moral da história, façamos algo por quem está do nosso lado e precisa de ajuda, mas, POR FAVOR, num me venha com baboseira religiosa e papinho bravo que se aprende na escola dominical!!!




sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quando penso...

Ouço uma melodia em minha mente
Cujo ritmo estremece o corpo
Minha alma, tímida começa a dançar
E o coração sai do compasso

Um refrão me diz o que quero ouvir
E, com ele, todo meu ser faz coro
Fecho os olhos e, inconscientemente
Passo a imaginar minha vida
Num conjunto de acordes

Percebo uma harmonia complexa
De coisas vividas
De emoções sentidas
E sinto nostalgia

Mas continua a melodia
E por ela sigo hipnotizado
Num transe quase religioso
Contemplo o infinito
Com um sorriso






sexta-feira, 19 de março de 2010

Não sei

Eu olho ao redor e tudo o que vejo me desanima

As pessoas parecem perdidas em seus próprios interesses

Aprisionadas na rotina, em busca de satisfação

Mas não sabem realmente o que fazer

Eu não sei

Eu quero acreditar nas coisas boas,

E ter esperança de que o feitiço deste século se quebre

Porém, eu mesmo não sou bom

Eu mesmo sou escravo

Não consigo distinguir o que é real do que me fizeram acreditar que é real

Através dos olhos da ciência, vejo o mundo de modo pessimista

E encaro a vida como resultado de complexos processos

Processos que, confesso, acho que nunca vou entender

Um dia eu tentei a religião

E encontrei mais perguntas que respostas

Chorei as mentiras contadas às pessoas

Sob o pretexto de salvação da alma

Com a desculpa de que o melhor está no por vir

E hoje, sou resultado da colisão de duas realidades tão opostas

Percebi que não se trata da “Ciência” ou da “Religião”

Na verdade, temos cientistas e religiosos

E, como homens que são, ambos mentem, crêem em excesso

Acreditam sempre ter descoberto o grande “segredo” até que alguém venha com uma nova idéia

E as idéias antigas se tornam fora de moda

Quer dizer, fora de moda até que alguém, muito ou pouco tempo depois,

Diga que na verdade eram boas e o ciclo se feche novamente

Portanto, só posso dizer que não sei

Acreditar ou verificar?

A priori ou a posteriori?

Diria que minha alma está assombrada

Entretanto, nem sei se tenho uma alma

E, por assim dizer, nem sei se posso ser assombrado

Talvez seja louco

Mas a loucura também depende do ponto de vista

Então não sei

sábado, 27 de fevereiro de 2010

inacabada

Sinto vontade de dizer o que nunca foi dito

De escrever o que nunca foi escrito

Com palavras que não pareçam plágio

De poesias decoradas

Vestindo máscaras de originalidade

Quero cantar uma música que não foi ensaiada

Cuja letra é espontânea

E a melodia é improviso

Pra não lamentar o passado

E não prever o futuro

Pra não precisar sonhar

Principalmente os sonhos dos outros

Procurando um caminho

Por onde apenas eu possa andar

Que me leve aonde ninguém foi

E me ensine o que ninguém aprendeu

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ecos da alma

Incerteza, o pior dos demônios. É impossível exorcizá-lo. Conviver com ela parece ser insuportável.
Penso como seria se ela não existisse. Talvez um pouco da poesia da vida fosse extinta. Porém, seria tão ruim assim? Viver em prosa e não em verso?
O fantasma assombra a cada nova interrogação. A percepção é falha e cabe aos corajosos arriscarem. Numa realidade distorcida, o que resta é tatear no escuro em busca do caminho que leva não sei aonde.
Inquieto, fico sem saber. A vida segue em ritmo alucinante, numa rotina que entorpece e, como as piores drogas, intoxica os pensamentos, adormecendo a razão.
A mercê do instinto, corro, sem rumo, penso em desistir, desejo liberdade. Um desconhecido cujo reflexo aparece no espelho quando, ao acaso, arrisco-me a olhar.
Não, não penso que a razão explique a existência. Apenas não tenho um modelo melhor. Tenho que aceitar a possibilidade de que talvez nunca venha ater.
A respiração é a única evidência da vida, desestimulante e contraditória que vivo.
Permanece ainda um sentimento bem humorado, um sorriso ao canto dos lábios, um vislumbre de uma pálida certeza: eu sobreviverei.

Nietzche

"Eis uma história lamentável: o homem busca um princípio no qual possa apoiar-se para desprezar o homem, - inventa um mundo para poder caluniar e poluir este mundo: realmente estende sempre sua mão em direção do nada, e desse nada constrói "Deus", a "verdade", e por todas as maneiras, juiz e condenador deste ser..."
(Friederich Nietzche - Vontade de Potência - Livro Segundo)